[RESENHA DE LIVRO] O Paraíso São Os Outros – Valter Hugo Mãe

   É um desafio e um prazer falar de um livro em que há tanta ternura. Dos olhos de uma criança O paraíso são os outros traz em cada uma de suas linhas uma amorosidade e delicadeza encantadoras. O pequeno livro se propõe a falar de amor na ingenuidade de uma voz infantil que nos conecta com a muita sabedoria que o dizer da criança pode fornecer a cada um de nós.

A tristeza a gente respeita e deita fora. A tristeza a gente respeita e, na primeira oportunidade, deita fora. É como algo descartável. Precisamos de usar mas não é bom ficar guardada” (p.38)

   O paraíso são os outros é, porque não, um lembrete a nós adultos, num mundo como se estrutura este nosso, da importância de ser com e junto… não é uma crítica à solidão ou algo do tipo, mas sim, uma bela ode ao amor, ao afeto e às suas relações.

Mães, pais, filhos, outra família e amigos, todas as pessoas são a felicidade de alguém” (p.38)

   Na sua escrita marcadamente poética, Valter Hugo Mãe nos permite experienciar leveza e intensidade bem juntos, num suposto paradoxo nenhum um pouco contraditório.

   Este livro surge após a reflexão da famosa e clássica sentença expressa por Jean-Paul Sartre “O inferno são os outros” feita em um outro livro do autor – A desumanização – o qual é também narrado na voz de uma menina, e que justamente termina se desdobrando na escrita deste, como o autor revela em uma nota ao final desta obra.

   A narradora de O paraíso são os outros ao prosear dos amores em suas peculiaridades, vai nos conduzindo também em um caminho que desvela e reafirma a importância e poder dos afetos na vida humana. E, apesar de tanto falar do amor e de suas relações, não nos deixa esquecer da beleza que há na singularidade de cada um e uma. E faz isso lindamente, como nos acostuma a leitura deste curto livro:

As pessoas são tão diferentes. Aprecio muito que o sejam. Fico a pensar se me acharão diferentes. Adoraria que achassem. Ser tudo igual é característica de azulejo na parede e, mesmo assim, há quem misture” (p.32)

    Logo, em tempos que tendem às mais diferentes padronizações da vida é imprescindível não esquecer.

   Nas palavras da pequena criança, Valter Hugo Mãe nos transporta, então, ao imenso deleite que pode ser nos sabermos pessoas juntas umas das outras, e não, isoladas, apesar de toda solidão que pode nos cercar e a qual podemos cultivar; mas, que ainda assim o paraíso está no estar em relação – o paraíso são os outros, e nós. O paraíso é o nós.


Referência:

Mãe, V. H. (2018). O paraíso são os outros. Rio de Janeiro: Biblioteca Azul.

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